
A perfeição nos leva a loucura. A busca por ela é insana. Qualquer ser humano pira na tentativa de alcançá-la. Eu enlouqueci. Ou, quem sabe, estou quase lá. Chegar lá seja, obviamente, nunca foi o destino ao qual eu planejei durante os meus 28 anos de idade. Não. Nunca. Caso contrário eu estaria em uma camisa de força.
Nessa hora, sim, exatamente neste minuto eu gostaria de fazer o que a maioria das pessoas estão fazendo: preparando-se para sair, festejando a sexta-feira pois é ela o tão esperado dia que desejamos desde o começo da semana. É sempre assim.
Pessoas nos bares brindando o fim do expediente com planos de serem tão mais felizes quanto no sábado e/ou domingo que passou. Eu gostaria de fazer parte dessa massa, dessa gente que, numa hora como esta, está rindo, meio bêbados, falando nada com nada e todos entendem o significado de qualquer palavra que seja dita. Quem importa? Afinal de contas, todos nós teremos dois merecidos dias de descanso para comemorar. E o ciclo vicioso recomeça assim que abrimos nossos olhos e nos deparamos com uma segundôna gorda prontinha esperando por nós.
Eu gostaria de fazer o que mais da metade de minhas amigas estão fazendo nessa hora: trocando a roupa por uma fantasia porque logo mais haverá um baile.
Meu estado é lamentável. Depressivo, de acordo com o que ouvi ontem.
Fiquei chocada, mas foi só nos primeiros cinco minutos até entender que, finalmente, alguém havia dado um nome à alguma coisa que realmente venho sentindo, porém tinha medo de pronunciar. O lado bom, pra mim, foi que, a partir do diagnóstico houve um complemento estranho: “Como é que você consegue esconder isso, desse jeito, dessa forma, de todos que estão ao redor? Moça, você vai pirar. Nenhuma cabeça segura por muito tempo.”, (como se eu não desconfiasse da força que eu faço todos os dias – pensei). Ah! O lado bom? O lado bom foi que eu ainda consigo enganar todo mundo com essa cara que eu tenho (minha mãe sempre disse que eu deveria ser atriz). Exceto ontem. Mas ontem foi um deslize que não dava para esconder diante dos fatos que me foram apresentados.
Agora dói. Não costumava doer tanto.
De todas as coisas perfeitas desse mundo; de todas as decisões perfeitas que são tomadas; de cada pincelada perfeita que é dada; de cada pedra preciosa que é lapidada perfeitamente; de toda a perfeição existente ao redor dos quatro cantos; de todo o corpo perfeito; de cada palavra escrita ou falada pelo perfeccionista, há a loucura que enlouquece e provoca a dor.
Escrito por Ana Paula Mathias às 21h38
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