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Direto da Guatemala... uma propaganda de uma rede de cafés. A novidade: do topo do painel sai fumaça. Só faltava ter cheiro de café (li que não tem). Uma pena já que o as empresas de marketing olfativo já desenvolveram inúmeros aromas de coisas que até Deus duvida.



Escrito por Ana Paula Mathias às 16h49
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Escrito por Ana Paula Mathias às 09h55
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Interessante a maneira como manifestantes protestaram contra o consumo de carne no centro de Londres. É como se eles mesmos se auto-censurassem. Não gostei do gesto nem da forma como foi conduzida.



Escrito por Ana Paula Mathias às 15h07
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O nome dela é Jéssica. Perguntei quando cheguei no ponto onde desço. Quando soube, logo pensei naquele refrão do pagode que diz assim: “O nome dela é Jéssica, eu já falei pra você. É a coisa mais linda. Que Deus pôde fazer”. Lembrei disso porque o cunhado do amigo do meu primo colocou esse nome em sua filha por causa dessa música. Na época eu tinha achado o ó do borogodó, do tipo: onde já se viu alguém colocar o nome na filha, que é coisa sagrada, por causa da música de um grupo de Pagode que vivia aparecendo no programa do Gugu? Argh!!!! Bom, apesar que o nome da minha mãe é proveniente de um livro que a minha avó leu quando era mocinha. O negócio é que o nome dela é Jéssica e estava na linha número 33 do fretado que passa na Águas Espraiadas. E ela não parava quieta, mexia no cabelo, abria a bolsa, pegava o celular, apertava uma tecla x, depois procurava o espelho e o batom, se mexia no assento, arrumava o decote, olhava para os lados impaciente e eu só de olho.

Até que seu celular toca e era isso o que lhe deixava aflita.

- Oi. – ela atende.

- Eu tô e você? – ela responde a um suposto “tudo bem”.

- Tô no fretado. – ela continua toda carinhosa.

- Tô longe. Acho que até o shopping... mais uma hora e meia.

- Tá trânsito, não posso fazer nada. – nesse momento sua voz se exalta.

- Me espera, vai! – ela volta para a voz melosa.

- Tá bom.

- Tchau.

Graças a Deus ela sossegou. Quer dizer, um pouco. Olhava o relógio de dez em dez segundos e espiava o trânsito pelo corredor do fretado. Mas pelo menos deixou de lado o batom. Pegou o espelho, deu uma última olhada no topete, um último retoque do batom e recostou-se no banco. Suspirava de vez em quando. Não sei se de cansaço ou de paixão aguda. Quem sabe os dois. Depois de 15 minutos o celular dela toca novamente.

- Oi. – a mesma voz da chamada anterior.

- Tudo bem? – dessa vez ela pergunta.

- Ainda tô longe. Mas já andou bastante. – ela emenda antes de ouvir uma provável reclamação do outro lado da linha.

- Me espera. Eu tenho um negócio para dar a você.

- Tá bom. Hã-hã. Beijinho. Tchau.

As pescoçadas no corredor do fretado eram intermináveis. Percebi que ela enxugava as palmas das mãos em sua calça jeans azul escuro. E, através de osmose, peguei o tique. Ergui minha cabeça milhares de vezes para saber o que estava acontecendo com o trânsito. Eu estava aflita. Eu queria que ela chegasse a tempo no local determinado antes que seu celular tocasse novamente. Fiquei inquieta. Minha mão também suava frio. Só faltava gritar. Ou será que eu deveria acalmá-la?

Calma, eu pensava. Calma para mim, afinal de contas, eu não preciso ficar aflita com a história dos outros. Inclinei a poltrona, me ajeitei e fechei os olhos. Mas foi por pouco tempo. O celular da Jéssica tocou novamente. A terceira vez em menos de 40 minutos.

- Oi. – a voz estava aflita. Pronta para ouvir o que ela não queria ouvir.

- Trânsito. Fazer o quê?

- Vou.

- Pode ir. – desligou o celular. Desligou mesmo. Apertou a tecla End.

E ela inclinou o banco também. Encostou e, antes de fechar os olhos, abriu a bolsa. Pensei: “Ihhh... lá vem a história do batom ou o quê, hein?”.

Ela pergunta para mim olhando para o vidro ao meu lado: “- Será que você pode abrir um pouco?”. Sem responder nada, abri. Ela pegou uma caixinha da bolsa e jogou pela janela. Na rua. E foi só nesse momento que ela recostou na poltrona e fechou os olhos.

Suspirou. Dessa vez, de alívio.



Escrito por Ana Paula Mathias às 11h26
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Não tenha medo de mudar

 

Por Eunice Ferrari

 

“Nas horas graves, os olhos ficam cegos; é preciso então enxergar com o coração”

Existem alguns momentos que, lentamente, muito lentamente nos apercebemos de algo acontecendo em nossas vidas interiores. Ouvimos uma voz, lá no fundo de nossas almas, ainda quase imperceptível, que chega a nós como um pequeno incômodo em nossos corações. Passam-se alguns meses, muitas vezes alguns anos, e essa voz começa a se tornar cada vez mais clara.

Mas mesmo assim, nossa tentativa é de fuga, de fingir que nada está acontecendo, que tudo deve continuar como está. Até que essa voz se torna ainda mais clara e afinal, conseguimos ouvi-la. Mas não gostamos do que ouvimos.

Tentamos desesperadamente calar essa voz, mas, nos sentimos impotentes diante de tamanha determinação. A voz incômoda nos diz: "Chegou a hora de mudar!" Mas hesitamos. Mesmo sabendo que precisamos abrir outros caminhos, hesitamos.

Por que nos sentimos tão estranhos às coisas novas que a vida nos impõe? Por que nos são tão difíceis as mudanças? É surpreendente nossa capacidade de adaptação, mesmo às coisas ruins.

Hesitamos bravamente, nos agarramos firmemente a situações que construímos, e negamos a própria transitoriedade, arrogantemente, e muito assustados, tentamos impedir o fluxo natural da vida.

Mudanças são situações sempre acompanhadas de medo, angústia e aflição. Queremos respostas imediatas, soluções relâmpago, queremos saber exatamente o que nos acontecerá a partir de então. Nos sentimos abandonados, desamparados, sós.

Os orientais, desde muito pequenos, aprendem que as mudanças e a morte fazem parte da vida, e que a própria vida não existiria sem sua transitoriedade. Mas nós, ocidentais, aprendemos desde muito pequenos a temer a morte e as mudanças. A construir uma vida sólida, um chão firme para pisar, um castelo de pedras para nele viver e morrer em paz.

Entendemos a morte e as finalizações de ciclos como finais definitivos e irrevogáveis. Mas o que devemos fazer para compreendermos as finalizações, é tentar entender o ciclo como um todo, seu sentido geral.

É muito importante se aperceber do todo, do ciclo total, pois seu significado não está em partes isoladas. Devemos perceber também que nenhum ciclo se inicia sem a finalização do precedente. O que fazemos, na verdade, quando a voz tenta nos alertar, é tentar impedir que a vida viva por si só. Mas insistimos em acreditar que temos algum controle sobre ela.

Na verdade, não sabemos nada. Mesmo quando planejamos nossas vidas, minuciosamente em cada detalhe, pensando ser essa a forma de obter todo o controle, mesmo agindo da maneira mais condizente com "o que deve ser", mesmo assim em um dado momento, perdemos todo o controle e nossos tão caros sonhos escorrem pelas nossas mãos como areia.

E perdemos o norte. Mas esse norte foi desenhado por nós! Algumas pessoas conseguem fazer as escolhas mais acertadas, caminhar por caminhos mais seguros, construir algumas coisas pertinentes à manutenção de suas felicidades. No entanto, muitas pessoas, freqüentemente as mais sensíveis, não conseguem. Em um dado momento de suas vidas, a voz começa a se fazer ouvir. A princípio é apenas um ruído, um estranho incômodo.

Até que ela cresce, e quanto mais negamos sua existência, que é o nosso grito de insatisfação, mais ela insiste em repetir, repetir e repetir: "Agora não tem mais jeito, chegou a hora de mudar!" Nesse momento, mudamos conscientemente, ou a própria vida constrói essa mudança por nós. E se for assim, na maioria das vezes a dor é muito mais intensa. Negar a necessidade de mudança é simplesmente negar a própria vida com seus fluxos e refluxos.

E fazemos contrariados todas as mudanças que achamos necessárias para a construção de um novo caminho. Mas mesmo assim sofremos.

Sofremos pela dúvida, pelo apego ao passado, pelo medo do futuro. Sofremos pela falta de fé, por não acreditarmos na certeza do renascimento que inevitavelmente segue a morte. Seria tão mais fácil se pudéssemos crer nesse movimento de vida, morte e renascimento. Toda noite segue o dia, que segue a noite, que segue o dia...
...e a lua cresce, fica cheia, mingua e depois desaparece aos nossos olhos...
...e as flores nascem na primavera, morrem no outono, dão lugar aos frutos que também amadurecem e morrem, e quando chega o inverno a vida começa a acontecer no silêncio subterrâneo, no inconsciente da Terra, preparando o nascimento de uma nova vida. Assim segue a natureza, da qual fazemos parte.

Da mesma forma quando mudamos, algo acontece em nosso silêncio interior, mas como não podemos ouvir com os ouvidos físicos, acreditamos que nada está acontecendo. Mas a vida continua se formando em nossas entranhas, e para ouvir o coração da vida, mesmo em meio às confusões das mudanças e todos os medos que as incertezas nos trazem, devemos aprender a ouvir com os ouvidos da alma.

Crescemos, amadurecemos, construímos um novo caminho, envelhecemos, e por fim morremos, dando lugar a uma nova vida. Assim é a nossa natureza, e é assim que funciona a vida. Não temos escolha a não ser acreditar e confiar nesse inexorável e maravilhoso ciclo, de vida, morte e renascimento.



Escrito por Ana Paula Mathias às 14h51
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Amanhã começa a votação das pérolas do blog Desencannes. Coloquei aqui aquelas que, a meu ver, são as melhores (não por isso são as mais inteligentes).

Agora é só aguardar.



Escrito por Ana Paula Mathias às 14h14
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