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O sol de cada manhã

Até que enfim um filme onde nada dá certo e o personagem principal é infeliz. Melhor ainda: o filme termina com ele infeliz. Quer dizer, não que eu seja uma pessoa que admire esse adjetivo. LÓGICO QUE NÃO! Mas as produções americanas não deixam de cair sempre no lugar-comum: mulheres lindas e magras; homens bem-sucedidos e felizes; planos diabólicos que dão certo.

No final do filme senti um alívio. Não pela conquista de um novo emprego, mas por ele não saber se é isso mesmo que irá fazê-lo feliz. Na vida real, ninguém nunca sabe.



Escrito por Ana Paula Mathias às 12h17
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Esse poema está escrito em todas as minhas agendas dos últimos 15 anos. Pra não mentir, vi a primeira vez em uma edição da revista Capricho quando a Ana Paula Arósio ainda começava a carreira dela como modelo fotográfica. Até hoje eu ando com essa mensagem pra cima e pra baixo. Nunca vi um amor assim.

Vinícius de Moraes

PARA UMA MENINA COM UMA FLOR

Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, que aliás você não vai nunca porque que você acorda tarde e gosta de brigadeiro: quero dizer o doce feito com leite condensado.

E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris no meio de todas aquelas malas estrangeiras. E porque quando você sonha que eu estou passando você p/ trás, transfere a sua ddc para o meu cotidiano e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre num nicho, mesmo quando põe o cabelo p/ cima, como uma santa moderna e anda lento e fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der aquela paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.

E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pagem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz; e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim pra ele, e ele escuta mas não concorda porque é muito meu chapa, e quando você se sente sozinha e perdida no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seu lhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E pôr que você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que eu estou brincando. E porque você é uma menina com uma flor e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.

E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as outras mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim pôr ela, a mão no queixo, a perna cruzada triste, e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita p/ você, " Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, se por acaso você não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse, cantando aquele pedaço em que digo que você "tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois."

E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora - tão purinha entre as marias-sem-vergonhas - a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nessas montanhas recortadas pela mão presciente de Guinard; e o meu coração põe-se a bater cada vez mais depressa. E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que já tive, e você é filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão, de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfeitando a sua fronte de grinalda; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e sobre tudo porque você é uma menina com uma flor.



Escrito por Ana Paula Mathias às 11h57
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Eu prometi pra mim mesma que eu nunca mais teria alguma recaída do tipo “Síndrome de Bridget Jones”. Eu prometi que eu nunca mais viraria noites em claro por causa de um simples livro. E acabei entrando pelo cano com a minha própria promessa. Será que tem algum castigo pra isso? Bom, ainda bem que ainda não lançaram o livro, o CD volume 1 e 2, o fã-clube, o pôster... ai, deixa pra lá.

 

2 dias e meio foi o tempo máximo que eu levei para terminar um livro chamado Casório. O coitado tem quinhentas e lá vai sei lá quantas páginas de uma história muito engraçada sobre uma cartomante que diz que a personagem principal vai se casar. O problema é que ela não tem um noivo. Muito menos um namorado. Na verdade, ela nunca se dá bem em compromissos afetivos (muito parecido com alguém que eu conheço). E, por esse motivo, o livro é um sem parar de verdade. Não conseguia pregar o olho na madrugada até chegar à página seguinte.

 

Depois do livro “Melancia” e “Sushi”, esse aí vale a pena pra dar aquela desencanada. Leitura leve, divertida e... aonde será que tem uma cartomante dessas, hein?



Escrito por Ana Paula Mathias às 11h48
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